DA CALÇADA PARA MESA: Dono da horta sempre sonhou lidar com a terra

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Faz tempo o pedreiro Osvaldo da Costa Borges formou em frente do seu quintal uma horta. A calçada é larga e não prejudica os pedestres. O canteiro foi cercado com tela de nylon, mas exibe em determinadas épocas do ano alface, almeirão, couve e outras espécies de folhas verdes apetitosas.

Nascido em 24 de outubro de 1950, Osvaldo teve que se aposentar por idade, apesar de sempre ter trabalhado como pedreiro. O que ele recebe é pouco. O governo diz que é benefício, mas o aposentado tem ciência que se trata de um direito.

A casa em alvenaria dele e da esposa, Maria José de Souza Borges, fica na Avenida José Bonifácio, ainda na área que compreende a Vila Atalaia. É uma via rápida. Meses atrás o poder público tratou de melhorar a malha asfáltica com uma operação tapa-buracos.

Os carros passam zunindo em frente da moradia. Maria José alerta: “Quem tem criança não pode soltar elas nem um pouquinho”. Osvaldo e Maria tem três filhos e a família cresceu com a chegada de alguns netos.

Antes da construção da frente em alvenaria, o casal e as crianças moravam na casa dos fundos. Completa 35 anos que a família está no lugar. Tem material de construção na calçada, perto da horta. Maria conta que os tijolos são para obra que o marido planeja por ali.

E a horta, propriamente dita, está com as folhas acabrunhadas neste período de estiagem, sol forte e calor. Mas produz para o consumo da família. Maria, que nasceu lá em Alvorada do Sul no dia 15 de abril de 1954 e sempre trabalhou na bóia-fria, revela um sonho do marido: “Ele sempre quis trabalhar com plantio”.

Apesar de aposentado, Osvaldo ainda trabalha como pedreiro. Os cuidados com a horta ele tem nos horários de folga. A árvore da calçada, bem em frente da horta, teria gerado reclamação de caminhoneiros que disputam prova de velocidade na José Bonifácio.

“Assim disse o pessoal do serviço público. Mas eu não sei não”. Segundo ela, recomendaram que a planta fosse podada, mas a própria família tem que correr atrás de frete para descartar a galhada. “No fim de semana o Osvaldo teve que queimar uns descartes aqui em frente. Senão fica tudo acumulado”.

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