HÁ 70 ANOS: Revolução nos cafezais e nas salas de aula

Monografia mostra que Lorena teve escola modelo a partir de fins da década de 1940 com os professores Okano e Corina

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Pais posam para fotografia em frente à primeira escola da Lorena
(foto extraída da edição especial da Revista da Associação Cultural e Esportiva de Cambé – Janeiro de 1998)

Maria Regina Clivati Capelo, da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), é autora de monografia com o titulo “Educação e Escolarização Japonesa nas Colônias Rurais do Norte do Paraná (1930-1960). Dentre as comunidades pesquisadas consta a Colônia Lorena, que hoje pertence ao Município de Cambé e antes era de Londrina.

Ela menciona que os primeiros ex-colonos japoneses provenientes de Cafelândia (SP) chegaram na Lorena no início da década de 1930 e, em 1934, já havia sete famílias reunidas em “Nihonjin-Kai” (associações dos chefes das famílias). Em 1940 eram 26 famílias.

A autora destaca ata da reunião pedagógica redigida pelo Departamento de Educação Pública e Assistência Social de Londrina (Depas), em junho de 1957. Para mostrar aos professores municipais a pedagogia que vinha sendo concretizada na escola de Lorena, ela decidiu realizar a reunião mensal dos professores na colônia.

A escola surgiu em 1937, com o primeiro salão construído de palmito e tabuinhas, com contribuições das famílias. Os honorários do primeiro professor, proveniente de Assaí, eram pagos pelos pais dos escolares.

A escola japonesa foi fechada em 1940, quando os próprios pais trataram de ensinar aos seus filhos, principalmente a escrita em japonês. A partir de 1942, as crianças começaram a freqüentar uma escola brasileira, na localidade rural vizinha.

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A primeira turma de alunos formados na escola da Lorena (foto extraída da edição especial da Revista da Associação Cultural e Esportiva de Cambé – Janeiro de 1998)

Em 1948, a colônia Lorena construiu a Escola Municipal “Fernão Dias”, num terreno doado por um dos membros da comunidade. Um casal de professores, ele japonês e ela descendente de italianos, veio de Cafelândia a convite das famílias. O clube local foi dividido ao meio. Enquanto o professor ensinava matemática e ciências para uma turma, a professora ensinava português e estudos sociais para outra.

Em 1951 a escola da Lorena foi a primeira na área rural a ter turma de quarto ano. Em 1957 instituiu a merenda escolar. O professor Okano e sua mulher, Corina, exerciam enorme influência na comunidade. Ele veio do Japão em 1920. Tinha curso correspondente ao segundo grau completo. Na Lorena implantou o mesmo sistema educacional que orientou sua própria formação escolar.

“O tempo mais significativo da educação escolar na Lorena ocorreu após 1952, quando a escola passou a funcionar em prédio próprio. Nesse momento, foi introduzido o Clube 4H que fazia parte do currículo escolar. Tratava-se de uma filosofia de vida fundamentada na preservação dos quatro princípios básicos que deveriam orientar todas as atividades dos indivíduos, com vistas ao bem comum”, diz a autora.

Relata uma ex-aluna que o 4 H é a vida em geral. É o lema que dá prioridade à cabeça, mãos, saúde e coração. “As atividades culturais, esportivas, intelectuais e manuais e a organização de comemorações oficiais, a participação nas exposições agrícolas, a preparação e a realização das gincanas ficaram a cargo do Clube 4H, sempre com a coordenação do professor, auxiliado pelos alunos que integravam os diversos clubes instituídos na escola”.

As capacidades intelectuais dos alunos eram observadas pelos professores. Os que apresentassem condições propícias eram transferidos de imediato para séries superiores. “Isto ocorria porque a filosofia educacional do Clube 4H se pautava pelo estímulo crescente aos estudos, de modo que segurar algum aluno em série inferior, quando apresentava capacidades mais elevadas, significava um desestímulo”.

O time de beisebol competia representando Londrina e os melhores atletas compunham a seleção paranaense. O atletismo e a ginástica rítmica tornaram-se famosos. Os atletas eram convidados para fazer apresentações em outros municípios. Em Londrina, os desfiles de Sete de Setembro apresentavam a Escola Fernão Dias, como convidada para fazer a abertura.

Os professores desfrutavam do respeito e da admiração de toda a comunidade que apoiava as propostas oriundas da escola.

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