A situação está dura, dizem cambeenses Divino e Nelson

Um mecânico e um reciclador contam que estão na luta diária para vencer os apertos causados pela economia brasileira.

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Divino José Vidotti, mecânico: antes dispensava serviço | Nelson de Souza, reciclador: mais concorrente na praça

Por graças! Divino e Nelson não fazem parte dos cerca de 14 milhões de brasileiros desempregados. Ambos têm atividades e levam a vida sem extravagâncias. Até por isso devem estar fora do contingente de 57,9% dos brasileiros que estão endividados.

Os números dos desempregados e envidados brasileiros são recentes. Embora fora dos dois levantamentos, Divino José Vidotti, nascido em 2 de setembro de 1957, em Arapongas, diz que está muito difícil tocar o seu pequeno empreendimento. Ele é dono da Oficina do Divino, na Rua Matheus Leme, Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé.
Divino tem quatro filhos e cinco netos. Por estar separado, dorme num quartinho montado nos fundos da oficina. Até recentemente ele tinha dois funcionários e garante que se via obrigado a dispensar serviço. Agora está sozinho e fica bom tempo parado.

“Tem gente que não tem dinheiro para consertar o carro e encosta o veículo na garagem”, supõe. Nos bons tempos Divino era mecânico de tudo: máquinas agrícolas, caminhão e automóveis não tinham segredo para ele. Agora, com o pouco espaço na oficina da Rua Mateus Leme, Divino só pode consertar automóveis.

O mecânico mora em Cambé há 40 anos. O sobrenome Vidotti ele esclarece, não é de parentesco com outros Vidotti que moram na cidade. “Quando cheguei aqui – no Novo Bandeirantes – não tinha asfalto e o capim colonião era mais do que as casas. Tudo barro e ônibus parava lá em cima.

Divino gosta do seu bairro. Quanto à segurança resume: “Aqui não é lugar perigoso, mas a segurança, como em qualquer lugar do Brasil, está braba”.

Nelson de Souza, nascido em 14 de março de 1963, na zona rural de Cambé, tem uma atividade mais complicada ainda. Ele é reciclador e percorre, diariamente, ruas de muitos bairros da cidade catando materiais que podem ser vendidos como recicláveis.

Tudo o que ele encontra é transportado num carrinho de mão. Nelson tem experiência no ramo, pois é reciclador há 40 anos. Por isso está em plena condição de avaliar o momento. Segundo Nelson, há mais pessoas vivendo da reciclagem, pois muitos desempregados tiveram que optar pela atividade.

Além disso, a quantidade de materiais e a qualidade despencaram, pois com a falta de dinheiro, o consumo diminuiu. Certas peças que antes eram descartadas agora, quando possível, são consertadas e reutilizadas.

“Tem muitos pais de família desempregados”, queixa-se Nelson. Ele é casado com Zeide e tem duas crianças pequenas em casa. Mora no Novo Bandeirantes e a esposa não pode trabalhar fora enquanto os filhos são pequenos.

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