MAESTRO ANDRÉA NUZZI: Uma história de admiração e de respeito

O local onde está o corpo do autor da melodia do Hino a Cambé parece que acabou de passar por limpeza, a qualquer hora do dia que alguém passe por lá.

Celina (1)

O jazigo do maestro Andréa Nuzzi, autor da melodia do Hino a Cambé, está sempre livre da sujeira. Nascido em 1º de outubro de 1902, em Santa Ágata Dei Gioti, ao sul da Itália, ele não tem familiares e parentes em Cambé.

Mas sobram admiradores. A professora aposentada Celina Liboni Dalapria está nesse grupo. E há seis anos ela dedica-se à tarefa de limpar o túmulo daquele que foi seu professor de piano.

Celina também integrou os grupos de canto e de dança que o maestro e sua esposa fundaram em Cambé. Antes, a limpeza do jazigo era feita pelas irmãs Francisca e Lairsse, também por admiração ao maestro e sua esposa.

É que após o falecimento de Andréa Nuzzi, em 24 de julho de 1972, a esposa do maestro, desconsolada, internou-se em um convento de Arapongas. Antes de partir, deixou uma cópia de chave do jazigo para a família de Celina e outra para a família vizinha, das irmãs Francisca e Lairsse.

Casada com Wilson Dalapria e mãe de três filhos (uma das meninas faleceu criança), Celina nasceu no dia 9 de setembro de 1940 em São Paulo, Capital. Tinha quatro anos de idade quando a família veio para Cambé, uma semana após o fim da Segunda Guerra Mundial, no dia 15 de maio de 1945. Ela é filha de Celino e Tercina Venanzoni Liboni.

O pai veio pouco antes, chamado para trabalhar como contador na Casa Paranaense. Quando foi buscar a família, a primeira moradia foi no final da atual Avenida Inglaterra. Meses depois a família mudou para a casa de madeira na Rua Espanha, que havia acabado de ser construída e onde Celina morou 71 anos.

Ela lembra que a Festa das Nações, nos velhos tempos, tinha a barraca espanhola levantada onde atualmente é a caixa d’água da Sanepar. O pioneiro Francisco Parras Amorilas trazia de São Paulo para o evento um grupo de música e dança espanhola, que tinha “um cantor bonito chamado Henrique e o maestro que tocava”.

Terminada a festa o maestro não voltou com a companhia. Ficou e alugou um quarto em cima de onde é a Paranaense. E começou a dar aulas, de casa em casa, de piano. Depois Andréa Nuzzi alugou outro quarto ao lado e a esposa dele passou a dar aulas de dança. Em pouco tempo havia, já formados, um coral e um grupo de dança. Celina tocava piano e o seu esposo, Wilson, cantava.

Andréa Nuzzi conseguia apresentações em várias cidades da região. Também autor da música do Hino a Londrina, com letra de Francisco Pereira Almeida Jr., Nuzzi levou para o concerto de apresentação do hino londrinense seus alunos de Cambé. O Hino a Cambé ele fez em parceria com Francisco Lopes, o autor da letra.

“Eu vivi a minha juventude, com 17 a 18 anos, com o maestro Andréa Nuzzi, sua esposa, e os colegas do coral e da dança”, afirma Celina Liboni.

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