ZONA VERDE: Donos de vagas podem estar com os dias contados em Cambé

Decreto regulamenta o estacionamento rotativo com 1.729 vagas, parquímetros e modalidades de duas horas e de quatro horas; entidade filantrópica vencedora de chamamento público deve operar o serviço

A cena parece inusitada na manhã de uma segunda-feira nas proximidades de uma agência bancária com a frente voltada para a Avenida Inglaterra. Uma das laterais se dá com a pequena rua que liga a Inglaterra à Rua Belo Horizonte. No outro lado da via está o muro de um estabelecimento de ensino.

Faz-se, de repente, uma gritaria. São xingamentos de um cuidador de carros em tom ameaçador. O insultado corre até o tronco de uma árvore, na calçada, e tenta levantar uma pedra, relativamente grande, para atirá-la naquele que o ameaça.

Perto, carros estacionados, motocicletas, veículos passando e, pior, pedestres caminhando. Dentre eles, senhoras com crianças puxadas pelas mãos. Após os ânimos dos briguentos acalmados, sabe-se por testemunhas que a cena é freqüente naquele trecho. A briga é de um cuidador de carros que se considera dono daquele ponto contra outros que, repetidamente, tentam se apoderar do lugar. “E costumam pedir dinheiro até de quem coloca o carro na área demarcada da calçada, que pertence ao banco”, diz um senhor. “Outro dia xingaram uma moça que deixou a motocicleta ali adiante e não quis dar dinheiro para o cuidador”, acrescenta um ambulante.

Decreto que institui o sistema de estacionamento rotativo pago em Cambé, conhecido como Zona Verde, foi assinado pelo prefeito José do Carmo Garcia e pode acabar com situações como a acima descrita. Com ele, ficam estabelecidas 1.729 vagas nas principais vias da cidade. O sistema será operado por uma entidade filantrópica contratada através de chamamento público, conforme o decreto de número 315.

A implantação depende dos prazos e ritos do processo de licitação para a contratação da entidade. “Foram oito meses de trabalho e estudos para redigir um decreto completo, com a seriedade que o assunto demanda”, disse o prefeito. “Escolhemos o modelo em que uma instituição filantrópica opera a Zona Verde para que a cidade receba de volta as tarifas do estacionamento em forma de um serviço social”, acrescentou.

O prefeito disse ainda que a falta de regulamentação do estacionamento rotativo prejudica o comércio e compromete, consequentemente, o desenvolvimento econômico da cidade. “A volta da Zona Verde é uma das maiores demandas dos nossos comerciantes, por que a falta de estacionamento afugenta os clientes”.

A Zona Verde deverá funcionar com parquímetros eletrônicos e será dividida em duas modalidades com tempo de permanência máxima de 2 e 4 horas. Motocicletas terão estacionamento em lugares próprios e serão isentas de tarifas.

O estacionamento para carros e utilitários com até quatro mil quilos terão tarifas de R$ 1,70 para até 60 minutos e R$ 3,40 para até 120 minutos nas zonas de permanência máxima de 2 horas; R$ 0,85 para até 60 minutos e R$ 3,40 para até 240 minutos nas zonas de permanência máxima de quatro horas.

O pagamento das tarifas poderá ser feito no parquímetro com cédulas, moedas ou cartões de crédito e débito. O usuário também poderá comprar créditos da Zona Verde na sede da entidade contratada para operar o serviço. O parquímetro emitirá um tíquete com o tempo de permanência escolhido, o motorista deverá deixar exposto o tíquete dentro do veículo.

Em caso de descumprimento das regras do estacionamento rotativo, o condutor será notificado pela operadora da Zona Verde para efetuar o pagamento em até 24 horas, sob pena de multa de infração de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

Enquanto isso, cuidadores de carros também agem nos trechos mais movimentados da Rua Belo Horizonte e nas vias do entorno da praça da Paróquia Santo Antonio. Há também pessoas pedindo trocados para cuidar de carros estacionados na parte mais central da Rua Curitiba (Da Redação, com Secretaria de Comunicação/PMC).

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