Aumenta o número de moradores de rua

Região central concentra grande quantidade de pessoas que dormem nas praças e mendigam durante o dia

A quantidade de moradores de rua aumenta nos municípios da microrregião e algumas prefeituras acionam a assistência social para triagens e encaminhamentos. Em Cambé, profissionais da área trabalham nos últimos dias na região central da cidade.

A reportagem do JNC encontrou uma equipe na Praça Getúlio Vargas e acompanhou, à distância, a ação das profissionais. O zelo foi para evitar que as pessoas abordadas percebessem a presença dos jornalistas e, principalmente, para evitar interferência na ação.

Havia, no momento, pelo menos cinco moradores de ruas que freqüentam a Praça próximos às profissionais. Pouco mais distante, a reportagem percebeu outros grupos. A ação foi realizada no período da manhã.

Uma das pessoas foi, conforme se soube depois, encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Jardim Tupi.

Só após o encerramento dos trabalhos da equipe no local a reportagem do JNC conversou com um dos moradores de rua da Praça Getúlio Vargas. Conhecido pelo apelido de Pai Velho no Conjunto Ulysses Guimarães, onde seria proprietário de uma unidade e estaria pagando parcela de R$ 25,00, Elias de Castro, na verdade, procurou espontaneamente o repórter para contar sua história após ter percebido a presença do jornal.

Ele não soube informar quanto anos de idade tem, mas acredita estar com pelo menos 60. Disse que antes morava no fundo de vale na parte de baixo da Rua Espanha, onde dispunha de abrigo improvisado e de água para a higiene.
Segundo Pai Velho, às vezes ele costumava chamar amigos para churrasco no local. “Só em um dia nós pegamos oito lagartos e assamos”, contou. Ele teria trabalhado como caminhoneiro e depois numa mecânica: “Criei meus filhos batendo carroceria de caminhão. Já bati muita catraca”. São dois filhos e uma neta.

A casa do Ulysses Guimarães, segundo Pai Velho, está com parte dos cômodos sem telhas. O encanamento apresenta infiltrações. Ele diz que este tipo de problema só aparece em sua unidade. “Eu fui o escolhido”, desabafa.
Por isso ele estaria na Praça boa parte do tempo. Pai Velho tem contato com os filhos, mas vive sozinho. A neta teria, conforme conta, um sério problema de saúde. A alimentação da criança seria por sonda. Segundo Pai Velho, as profissionais recomendaram a ele procurar urgentemente o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) próximo da praça.

Em Londrina, a situação dos moradores de rua é grave. Praças são ocupadas e semáforos centrais foram dominados por grupos que, em determinadas situações, tornam-se agressivos quando abordam motoristas e não são atendidos no pedido de dinheiro.

Na Rua Quintino Bocaiúva, um sofá colocado no centro da praça em frente do terreno onde existiu o Instituto Filadélfia dá a impressão a quem passa que ali é uma sala de estar. Um piso com papelão havia sido colocado ao redor, mas nas últimas semanas foi desfeito. Há cobertores guardados nas proximidades.

Parte dos moradores de rua que chegam a Cambé deixou Londrina após expulsa por grupos que dominam os melhores pontos de concentração da cidade vizinha, dentre eles a praça da Avenida Tiradentes, nas proximidades do Mercado Municipal Shangri-lá. Ali moradores costumam flagrar veículos de alguns municípios mais distantes do Norte do Estado “desovando” moradores de rua durante a madrugada.

sofá (1)

Na Praça Jonas de Faria, com a frente para a Rua Quintino Bocaiúva, no centro de Londrina, sofá faz sala de estar há bom tempo

COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


%d blogueiros gostam disto: