Cambeense ensina História para surdos

Professora e interprete é autora de projeto de vídeos no Youtube, com o uso da linguagem de sinais.

A professora Karina Verlingue, de Cambé, faz parte do segmento de pessoas que tem acesso à tecnologia da informação e sabe muito bem como fazer bom uso da internet e de seus variados recursos.

Formada em História pela Universidade Estadual de Londrina, Karina somou a esse conhecimento acadêmico outro que ela começou a aprender há 13 anos, o de libras. Além da graduação na Universidade e o aprendizado da linguagem de sinais, ela fez especialização em educação de surdos e foi certificada como professora bilíngue português-libras.
Profissionalmente Karina enriquece seu currículo como interprete e professora em vários estabelecimentos de ensino, como também no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), com a disciplina de História.

Recentemente, a experiência e o conhecimento adquirido resultaram em um interessante projeto: Karina Verlingue agora ensina História também no Youtube em produção de vídeo feita para o público que é surdo. O canal é para qualquer faixa de pessoas, mas a ênfase é para quem está nos ensinos fundamental e médio. O projeto foi batizado com o nome “Histórias em Libras”.

“Fiz para o ensino fundamental e o médio porque como trabalho em escola de surdos sei das necessidades dos alunos. Eles não têm arcabouço teórico e nem mesmo vocabulário para entender uma aula mais complexa”, afirma Karina.

“Não que os surdos não tenham capacidade, mas por não terem acessibilidade em outros meios, como jornais, novelas e até mesmo contato com os familiares, eles perdem muita informação e coisas que parecem simples e corriqueiras para nós eles não tem conhecimento. Por isso as aulas são sempre explicadas em mínimos detalhes, além de usar imagens ilustrativas, porque a cultura surda é visual”, acrescenta.

Karina diz que textos em português não são fáceis para os surdos. No próprio Youtube, segundo ela, há vídeos sobre libras, inclusive que ensinam sinais para se comunicar. O que ela detectou foi a falta de vídeos sobre história produzido para surdos. Para complicar, a maioria das produções nem facilita com o uso do recurso das legendas.

No vídeo de abertura do projeto, Karina se apresenta e mostra a sua proposta de trabalho. Ela usa a linguagem de sinais e torna a produção interessante também para as pessoas que ouvem, pois a narração feita por ela complementa a comunicação.

Com humildade, explica que por ser ouvinte pode não conhecer todos os sinais de libras e propõe uma troca: “Eu ensino História e vocês me ajudarão com a linguagem de sinais”.

COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


%d blogueiros gostam disto: