HORTAS COMUNITÁRIAS: Mesa farta e excedente para vender

Em Cambé as hortas comunitárias ocupam 85 mil metros quadrados na zona urbana e podem produzir até 500 toneladas de alimentos por ano.

Cerca de 800 famílias de Cambé fazem 85 mil metros quadrados de áreas urbanas produzirem alimentos para o consumo próprio e, ainda, comercializar o excedente. Elas participam das 23 hortas comunitárias que surgiram no município no início dos anos de 1980. A primeira foi a do Jardim Tupi.

Atualmente o programa está sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, onde o diretor do Projeto de Agricultura, Odair José Paviani, junto com o funcionário do órgão, Sérgio Amaro, acompanham e assessoram as famílias participantes.

Paviani faz uma conta para mostrar o potencial produtivo das hortas comunitárias e a sua importância para Cambé. Segundo ele, cada metro quadrado comporta, tecnicamente, 12 plantas produzidas em hortas. A projeção, portanto, é de que as cerca de 800 famílias produzem, no ano, de 400 a 500 toneladas de alimentos.

Essa estimativa leva à outra comparação sobre a produção agropecuária municipal. De acordo com o mais recente levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), de março de 2018, enquanto as hortas comunitárias ocupam 8,5 hectares de lotes urbanos espalhados por diferentes bairros, as atividades agrícola e pecuária no município são desenvolvidas em 48.182 hectares.

Desse total, 37.096 hectares tem lavouras temporárias, 963 hectares tem horti-fruti, 6.975 estão ocupados com lavouras permanentes, e 3.083 hectares com pecuária e outros animais. Com base em setembro de 2017, o Ipardes destaca em seu relatório que o milho e a soja tiveram as maiores áreas colhidas: milho com 34.200 hectares e soja com 35.500 hectares.

Em outra medida, enquanto as hortas comunitárias totalizam 85 mil metros quadrados, a atividade agropecuária municipal é desenvolvida em 481.820.000,000 metros quadrados. Em síntese, o secretário de Agricultura e do Meio Ambiente, José Roberto Matos do Amaral, afirma que Cambé produz 90% de soja e gado e a agricultura familiar é irrisória.

Estatuto pauta as atividades
Mais uma horta comunitária está para ser iniciada em Cambé. É a do Conjunto Habitacional Ulysses Guimarães, em parceria da Secretaria da Agricultura e do Meio Ambiente com a Fundação Banco do Brasil. Antes de definir por uma horta, a Fundação realizou pesquisa junto aos moradores do bairro para saber a prioridade local. Após a definição as famílias interessadas participaram de cursos e treinamentos. Segundo o diretor de Agricultura Odair José Paviani, das 23 hortas já existentes a que mais reúne participantes é a do Parque Residencial Ana Rosa, onde há mais de 90 famílias. As demais giram em torno de 40 participantes. Três das hortas são em convênio com a Eletrosul, sob as redes de distribuição nos bairros Boa Vista, União e Favaro. O estatuto das hortas comunitárias proíbe o uso de produtos químicos. Cada horta recebe verba anual de R$ 3.000,00 desde que cumpra com suas metas. A Prefeitura de Cambé fornece esterco, cinza para correção do solo e, a partir de agora, aproveita o picador de galhos adquirido para fazer compostagem. Na área de formação, oficinas e cursos em áreas de interesse são oferecidos aos participantes das hortas, como economia solidária, associativismo, cooperativismo, agricultura e ecologia, entre outros. Uma das orientações aos participantes, conforme enfatiza o diretor de Agricultura, é para evitar que determinadas famílias acumulem lotes repassados por desistentes e se tornem produtores em escala comercial dentro das hortas comunitárias.

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